A REPERCUSSÃO DA DEMISSÃO DE ZÉLIA CARDOSO DE MELLO

A demissão da ministra Zélia Cardoso de Mello do Ministério da Economia, e a sua consequente substituição pelo embaixador Marcílio Marques Moreira, provocou a seguinte reação do empresariado brasileiro: Léo Cochrane Júnior (presidente da FEBRABAN)-- "a ministra fez um bom trabalho. Sua substituição pelo embaixador é um sinal de que não haverá mudanças drásticas na política econômica"; Pedro Eberhardt (presidente do SINDIPE>AS)-- "a principal falha da ministra foi a ausência de diálogo com empresários, trabalhadores e políticos. Sobre o embaixador conhecemos apenas sua habilidade como diplomata"; Paulo Manoel Protásio (presidente da ACRJ)-- "lamento profundamente a saída da ministra. A equipe que ela formou representou grande inovação, por uma política econômica que teve mais acertos do que erros"; Miguel Jorge (vice-presidente da Autolatina)-- "a indicação do embaixador deve mudar os rumos da política macroeconômica. Ele é um adepto do funcionamento do livre mercado e sempre foi considerado um competente executivo da área financeira"; Antônio de Oliveira Santos (presidente da CNC)-- "atribuo a queda da ministra aos congelamentos e tropeços da política econômica. O Marcílio, com certeza, vai trilhar caminho de menor intervenção do governo"; Walter Sacca (diretor da FIESP)-- "a mudança da ministra não é o mais importante pois, segundo o presidente Collor, ele é o ministro da Economia. Resta saber se a mudança significa uma nova postura do presidente em relação à sociedade"; Olacyr de Moraes (presidente do Grupo Itamarati)-- "a ex-ministra tem uma personalidade muito polêmica, o que pode ter dificultado seu trabalho no governo"; Antônio Ermírio de Morais (superintendente do Grupo Votorantim)-- "fico triste com a saída da ministra, porque nós sempre concordamos no atacado. Discordamos em alguns aspectos no varejo, mas ela merece toda a nossa admiração, porque é uma pessoa extremamente séria e delicada". Alguns governadores também comentaram a mudança: Leonel Brizola (RJ)-- "construí dela uma ótima impressão, firme, equilibrada e sempre consciente de que a cooperação entre o estado e a União não deve depender da cor partidária de seus governos"; Ciro Gomes (CE)-- "a demissão da ministra representa uma verdadeira tragédia para a economia, no pior momento possível"; Alceu Collares (RS)-- "lamento a saída da ministra porque ela estava fazendo um trabalho capaz de produzir bons resultados". No campo internacional, junto à comunidade financeira, a substituição da ministra teve a seguinte repercussão: Marcus Regueira (vice-presidente do b`nco First Chicago)-- "a escolha do embaixador representa uma beleza de casamento de banqueiro com diplomata"; Raul Guimarães (vice-presidente do Bankers Trust)-- "o embaixador representa uma grande credibilidade para o Brasil, ele vai encontrar as portas abertas para negociar"; Thomas Reichmann (chefe da missão do FMI)-- "o embaixador é sumamente competente e vai ficar interessante negociar com ele". Alguns parlamentares também opinaram sobre a saída da ministra. Para os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ), Sérgio Arouca (PCB-RJ) e Roberto Freire (PCB-PE), a ministra saiu do governo pelos seus acertos e não pelos seus erros. O senador Eduaro Suplicy (PT-SP) disse que "o lado sério do governo perdeu". O senador Ronan Tito (PMDB-MG) acha que Zélia "cansou". No seu entender, ela perdeu a resistência emocional para vencer as pressões. O deputado César Maia (PMDB-RJ) disse que a demissão da ministra permitirá a Collor recuperar sua base parlamentar no Congresso Nacional. "A saída ocorre em circunstâncias positivas, porque ainda há tempo de recuperar a economia", comentou (GM) (JB) (JC) (O Globo).