O ex-presidente João Figueiredo divulgou ontem, no Rio de Janeiro, nota em que justifica seu comportamento no episódio da explosão da bomba no Riocentro, em 30 de abril de 1981, como de defesa do processo de abertura política. Figueiredo afirma que, se tivesse desrespeitado a decisão de arquivamento do caso da Justiça Militar e adotasse um procedimento excepcional ou pressionasse para que as investigações prosseguissem, poderia abrir o caminho para o "retorno ao regime de exceção". Se não tivesse agido dessa forma no caso, argumenta, as consequências seriam graves: "Teria comprometido de forma irremediável a única estratégia possível para atingir o objetivo maior do meu governo de restaurar o Estado democrático de Direito no Brasil". Para ele, "qualquer outra atitude representaria a própria negação do objetivo almejado". Na nota, o ex-presidente afirma que "não acuso, nem inocento ninguém (...) expresso somente minha confiança, e mais do que isso, minha convicção de que nenhum oficial superior se envolveria em tal empreitada" (O ESP) (JB).