INAUGURADA A ÚLTIMA TURBINA DE ITAIPU

Os presidentes Fernando Collor e Andrés Rodriguez inauguraram, ontem, a última máquina geradora da Hidrelétrica Binacional de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), construída através de um consórcio entre o Brasil e o Paraguai, firmado em 1973. A solenidade marcou a conclusão da obra, iniciada em 1975, que agora responde por 35% da energia elétrica produzida no país e 38% no Paraguai. A usina tem uma capacidade instalada de 18,6 milhões de quilowatts, considerado o maior volume registrado no mundo e custou US$18,7 bilhões. Cerca de 14 mil hectares, que representam 50% da faixa de proteção criada ao redor do lago da hidrelétrica, já estão reflorestados. Essa faixa de proteção existente apenas no lado brasileiro- - já que no lado paraguaio as matas nativas não foram afetadas-- destinam-se a proteger o lago contra erosões e agressões de agrotóxicos. Antes de acionarem a 18a. turbina da hidrelétrica, os dois presidentes discursaram chamando atenção para o tratado que viabilizou a obra, mas sob aspectos opostos. Collor disse que o acordo de Itaipu constitui uma verdadeira "obra de engenharia política e diplomática" e defendeu a sua manutenção, em linhas gerais, por entender que "suas cláusulas são fruto de intensas e amplas negociações entre nações soberanas". Andrés Rodriguez, por sua vez, lembrou que, depois de 18 anos da sua assinatura, o Tratado de Itaipu precisaria ser analisado à luz de novas circunstâncias, mas mantendo o sentido de cooperação que lhe deu origem. O Paraguai quer a revogação da cláusula que dá exclusividade ao Brasil na compra da energia excedente, para vendê-la à Argentina. Atualmente, o Brasil compra cinco milhões de kilowatts dos paraguaios, ao preço unitário de US$18,70. Antes de chegar ao portão principal da usina de Itaipu, o presidente Collor teve que passar ao lado de uma manifestação de protesto organizada pelo PT e por sindicatos ligados à CUT. Com faixas como "Fora Collor" e Chega de Projetão, cerca de 600 pessoas passaram a manhã no trevo de acesso à Vila C de Itaipu, onde moram os trabalhadores de menores salários no empreendimento. Para tentar evitar a manifestação, a comitiva tomou a pista contrária. Não houve repressão (GM) (JB) (FSP).