A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, disse ontem que este ano não há margem para aprofundar a política fiscal (contenção dos gastos públicos). Ela tem expectativa de repetir o superávit das contas do governo obtido no ano passado, correspondente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), a partir de um melhor resultado das contas das empresas estatais e dos estados e municípios. As projeções para a economia neste ano e a retrospectiva dos resultados obtidos no primeiro ano do governo Collor serão discutidas, no próximo dia sete, entre a ministra e a missão do FMI (Fundo Monetário Internacional). A ministra da Economia disse ainda que quer que o FMI aprove a política econômica do governo sem considerar metas de inflação. Ela espera que a missão do Fundo conclua que o governo está fazendo as políticas fiscal e monetária corretas, embora ainda não tenha conseguido baixar a inflação. Zélia previu que em até quatro meses o acordo com o FMI esteja fechado. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério da Economia, prevê que nos 12 meses findos em março, em relação aos quatro trimestres anteriores, o PIB apresentará uma queda de 5,9%, causada pela redução de 10,2% na produção industrial, 6,1% na atividade agrícola e 1,6% nos serviços. Para o segundo trimestre, a projeção é de queda de 2,8% do PIB (JC) (O Globo).