A juíza Selene Maria de Almeida, da Justiça Federal de Brasília (DF), ordenou ontem às 18h a prisão do presidente do Banco Central, Ibrahim Eris. Ela afirma que ele descumpriu decisão judicial de suspender a liquidação da corretora Argos, do Rio de Janeiro. A Polícia Federal enviou agentes ao gabinete de Eris, no BC, e à sua residência. Até 22h, ele não havia sido encontrado. A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, considerou a ordem judicial "absurda". A juíza Selene é a mesma que mandou citar o presidente Fernando Collor como réu numa ação popular que visa anular contratos de publicidade firmados pelo governo sem licitação. Aos 20 minutos de hoje, o presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) de Brasília, ministro José Anselmo, concedeu "habeas-corpus" ao presidente do BC. O Departamento Jurídico do banco conseguiu obter o despacho na residência do ministro. O "habeas-corpus" livra também Ibrahim Eris da prisão. Informada da decisão do ministro José Anselmo, a PF deixou a sede do BC. Também ontem, os ex-ministros Antônio Delfim Netto e Ernane Galvêas, o espólio do ex-ministro Mário Andreazza, o ex-presidente do extinto BNH (Banco Nacional da Habitação) José Lopes de Oliveira, o ex-diretor do BNH Mário Fontes Brito e o grupo Delfin foram condenados pela Justiça a pagar Cr$56,4 bilhões à CEF (Caixa Econômica Federal), por "contrato lesivo" entre o BNH e o grupo Delfin (FSP) (JC).