CENTRAIS REFORÇAM CONVOCAÇÃO PARA GREVE GERAL

As centrais sindicais e os políticos que participaram ontem das manifestações do Dia do Trabalho na Praça da Sé (centro de São Paulo, capital) centralizaram seus discursos na convocação da população à greve geral, prevista para os dias 22 e 23 deste mês. "Quero parar até o piloto de helicóptero do presidente Collor", disse o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli. Segundo avaliação da entidade, cerca de nove mil pessoas participaram do ato. Para a Polícia Militar, três mil pessoas estiveram na manifestação. Em seu discurso, Meneghelli afirmou que nenhum trabalhador pode se apor à greve, pois "atualmente há motivos de sobra para aderir ao movimento". Em São Bernardo do Campo, o presidente nacional do PT, Luís Inácio da Silva, afirmou que os sindicalistas devem estabelecer uma política de negociação com o Congresso Nacional e os empresários depois da greve geral. No Rio de Janeiro, cerca de cinco mil pessoas participaram das manifestações pelo 1o. de Maio. O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Francisco Canindé Pegado, afirmou que "os trabalhadores têm de vencer o medo do desemprego e aderir à greve geral". Para ele, desta vez a greve não é só política, mas também social. Ninguém aguenta mais o arrocho, disse. Em Brasília, cerca de três mil pessoas participaram das manifestações de protesto contra o governo Collor organizada pela CUT e partidos políticos de esquerda. Em Curitiba (PR), cerca de mil pessoas participaram de uma passeata de protesto no dia do trabalho. Em Belo Horizonte (MG), um culto ecumênico e uma manifestação na portaria da siderúrgica Mannesmann, convocada pelas centrais sindicais, marcaram a passagem do dia 1o. Cerca de três mil trabalhadores participaram dos dois atos. No Recife (PE), 2,4 mil pessoas também participaram das manifestações de convocação da greve geral. Em Aracaju (SE), a CUT conseguiu mobilizar cerca de mil trabalhadores para um ato público realizado na Praia de Atalaia, zona sul da cidade. Em Caxias do Sul (RS), mais de 60 mil trabalhadores rurais participaram da Romaria do Trabalhador, que contou com passeatas de protesto contra o governo Collor e culto ecumênico. O prefeito de Porto Alegre, Olívio Dutra (PT), também participou da manifestação. Pelos cálculos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), os salários de praticamente todas as categorias têm hoje 1/3 do poder de compra que tinham há um ano. E o salário-mínimo perdeu 80% do seu valor, em relação a 1940, quando foi criado. Os sindicalistas utilizaram esses números, ontem, para justificar a greve geral. Eles contam com a adesão dos trabalhadores do setor de transportes coletivos em todo o país (FSP) (O ESP) (O Dia) (JB) (O Globo).