Para o papa João Paulo 2o., a derrocada do comunismo não deve ser comemorada como uma vitória do capitalismo. Comentando a encíclica que publicou ontem sobre a questão social, o papa ressaltou que o mercado não pode ser tomado como "regulador supremo da vida humana". A encíclica Centesimus Annus (Centésimo Ano) comemora o centenário da "Rerum Novarum" (Das Coisas Novas) de Leão 13, documento-base da doutrina social da Igreja, escrita para dirigir a atuação da Igreja frente à questão operária e marcar posição contra o comunismo. Com o comunismo em declínio, a "Centesimus Annus" se concentra na crítica aos males do capitalismo. "Acabou-se um sistema mas os problemas e a situação de injustiça de que ele se beneficiava não acabaram", disse o papa. "É justo reconhecer o valor ético da liberdade de mercado mas a Igreja sempre rechaçou que se faça do mercado o modelo ou a síntese da vida humana", disse. Na encíclica, o papa desenvolve a tese de que "há valores humanos que não tem acesso ao mercado". Para a Igreja, "é dever da comunidade naccional e internacional oferecer uma resposta a essas necessidades" (FSP).