MILITAR DEFENDE REABERTURA DO CASO RIOCENTRO

O almirante Júlio de Sá Bierrenbach, 72 anos, ex-ministro do STM (Superior Tribunal Militar), defendeu ontem a reabertura do Inquérito Policial Militar (IPM) sobre a bomba que explodiu no Riocentro, no Rio de Janeiro, há 10 anos. O inquérito, segundo ele, foi "uma farsa". O procurador-geral da Justiça Militar, Milton Menezes Costa Filho, disse que "em tese, o caso Riocentro está coberto pela anistia" se permanecer como crime político. Ele considera que o inquérito poderia ser reaberto se surgissem novas provas que indiquem a inexistência de conotação política. O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, também considera anistiados-- por força da Emenda 26 do Congresso Nacional-- os eventuais envolvidos e, por isso, sem razão a reabertura do caso. O ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, disse que o governo não pedirá a reabertura do IPM sobre o caso Riocentro. Para o ministro, "o problema deve ser decidido pelo STM". O ministro da Marinha, Mário César Flores, criticou o ex-presidente general João Figueiredo por ter-se omitido durante o IPM que apurou o caso. "Eu fico imaginando aqui, se ele sabia isso, por que não determinou essa questão", afirmou, ao comentar as declarações do ex-presidente de que o crime teria sido cometido por militares. Com base em declarações de Figueiredo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu à Procuradoria Geral da Justiça Militar novo inquérito sobre o caso Riocentro. O ministro do Exército, general Carlos Tinoco, não quis comentar as declarações do ex- presidente. O ministro da Aeronáutica, brigadeiro Sócrates Monteiro, afirmou que o caso está nas mãos da Justiça, que deve decidir sobre possível reabertura do inquérito (FSP) (O ESP) (JB).