O presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, disse ontem, em Washington (EUA), que o governo brasileiro não tem como dar garantias sobre a inflação na situação econômica atual. Ele se reuniu com o sub- secretário do Tesouro norte-americano, David Mulford. Eris disse a Mulford que não houve mudanças na política econômica do país. A prioridade é o combate à inflação, mas o governo não quer dar garantias sobre as metas. Ao saber da declaração de Eris, a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, que também está em Washington, confirmou a estratégia: "A inflação no Brasil tem uma certa resistência, então, no curto prazo, não adianta nós termos metas de inflação de 1% porque não vai ser isso". Após encontrar-se com o presidente do BC, o presidente do CITIBANK, Willian Rhodes, disse que o Brasil deve iniciar em maio, com os credores, a negociação da dívida externa. Zélia e Eris estão participando da reunião conjunta do FMI (Fundo Monetário Internacional) e BIRD (Banco Mundial). Ministros da área econômica de todo o mundo estão presentes. Para o Brasil, é uma oportunidade de estabelecer contatos. A ministra disse ao presidente do BIRD, Barber Conable, que o Brasil precisa de recursos e apoio para apressar o acordo com os credores. Pediu também um voto de confiança no governo, pois, após uma queda de 4,6% no PIB (Produto Interno Bruto) em 1990, o país não suporta mais recessão. Com esta argumentação, a ministra pretende mudar o clima desfavorável encontrado pela delegação brasileira nos EUA (FSP) (O Globo).