A VISITA DO PRÍNCIPE CHARLES

O primeiro encontro do príncipe Charles com o presidente Fernando Collor foi reservado a discussões sobre ecologia. Participaram do encontro, no Palácio do Planalto, o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, o secretário-geral da Presidência, embaixador Marcos Coimbra, e o embaixador britânico no Brasil, Michael Mewington. O príncipe defendeu a realização de campanhas de conscientização para a defesa ambiental. Ele disse que as pressões e reivindicações nesse sentido devem vir da sociedade. O presidente Collor comentou a redução da floresta pelas queimadas na região amazônica. Após o encontro, o ministro Rezek afirmou que os investidores estrangeiros no Brasil, interessados em projetos de desenvolvimento sustentado (atividades que não agridem o meio ambiente), terão que abrir mão do lucro. O príncipe Charles, segundo Rezek, certamente apóia esse princípio, que será defendido pelo governo brasileiro em seminário sobre meio ambiente a ser realizado em Belém (PA), com a presença do príncipe e do presidente Collor. Ainda ontem, o príncipe e a princesa Diana visitaram o projeto de extração de minério de ferro de Carajás, no Pará. O príncipe, no entanto, conheceu apenas um projeto modelo de preservação ambiental executado pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) na região. Fora dali, e ao longo dos 930 km da Ferrovia Ferro Carajás, as usinas, que integram o projeto Grande Carajás, provocaram uma devastação sistemática da floresta nativa para o beneficiamento do minério através do carvão vegetal, além de graves problemas sociais para os agricultores da região. Estes, tornaram-se uma população marginalizada nas cidader que foram crescendo desordenadamente ao longo da linha férrea (FSP) (O ESP) (JC).