A seleta faixa de 1% da população rica do Brasil ganhava, em 1988, 217 vezes o que recebiam os 10% mais pobres de então. Em 1983, esta diferença de ganho correspondia a 147 vezes. Estes e outros números constam do livro Distribuição de renda no Brasil, do IERJ (Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro), lançado semana passada pela "Paz e Terra", que retrata o nível de concentração de renda no país. De acordo com o estudo, entre 1983 e 1988, a renda real dos 30% mais pobres (45 milhões) só cresceu 1,7%; enquanto a dos 40% da média subiu 9,7%; a dos 30% mais ricos, 17%; e a da seleta faixa do 1% mais rico (1,5 milhão) cresceu 20,45%. O fato é que em 1988, os 10% mais ricos detinham 46% da renda gerada no país, enquanto apenas 35% da renda correspondia a salários (esta última taxa, em 1960, estava na faixa de 60%). Uma política de distribuição de renda que mexesse em questões estruturais poderia dar alguns resultados num prazo de quatro a cinco anos, estima o presidente do IERJ, José Márcio Camargo. O período é considerado curto e explicado pela rapidez das mudanças que uma reforma agrária e uma centralização dos processos de negociações coletivas poderiam dar. Outra medida-- que depende da capacidade pública de investimento-- seria a ampliação e melhoria dos serviços como educação, saúde e previdência (O Globo).