Num dos quatro documentos-- "Vida Para Todos"-- divulgados ontem, ao final de sua 29a. Assembléia Geral, realizada em Itaici, Indaiatuba (SP), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) diz que a Igreja condena a pena de morte e aborda uma série de problemas sociais, como o extermínio de menores, o aborto, a esterilização e a questão da terra. "Da mesma forma como no passado recente nos opusemos à repressão e à tortura, somos contrários a projetos que venham tramitar no Congresso Nacional propondo a instituição da pena de morte", diz o texto. Embora o documento tenha sido aprovado pela esmagadora maioria dos bispos, a posição sobre a pena de morte não tem consenso. Em entrevista durante a assembléia, dom José Carlos de Lima Vaz, 62 anos, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, disse não ter opinião formada sobre o tema: "Há momentos na Bíblia em que Deus manda exterminar". Em pelo menos dois temas os bispos foram unânimes. A Igreja continua radicalmente contra projetos de liberação do aborto e considera criminosa a esterilização e a "mentalidade anti-natalista que leva ao uso indiscriminado dos anticoncepcionais". O documento se refere ao extermínio de crianças, jovens e adultos como "verdadeira pena de morte, que atinge sobretudo os pobres e marginalizados". Em outro texto, a CNBB reafirmou solidariedade com os atingidos pelo "desumano arrocho salarial", pela chaga do desemprego e pelo "aviltamento dos valores pagos aos aposentados". Na mesma declaração, os bispos se colocam ao lado dos trabalhadores rurais sem-terra e pedem pela "reforma agrária tantas vezes anunciada e tantas vezes adiada". Os outros dois documentos lançados pela CNBB foram a "Declaração de Solidariedade às Igrejas e aos Povos do Oriente Médio" (que defende a criação de um estado palestino) e a "Mensagem dos Bispos do Brasil sobre o Congresso Eucarístico e a Visita do Santo Padre" (sobre a visita ao Brasil do papa João Paulo 2o.). O texto final do encontro, "Objetivo geral", síntese das diretrizes aprovadas pelos bispos, assinala que a Igreja deve "evangelizar, com renovado ardor missionário", à luz da "evangélica opção preferencial pelos pobres" (FSP).