O presidente Fernando Collor decretou ontem, Dia do Índio, a interdição de 9,4 milhões de hectares para os yanomanis, em Roraima. Foi anunciada também a criação de uma comissão interministerial para definir, em 180 dias, o tamanho final da área a ser destinada àqueles índios. A interdição é o passo anterior à demarcação e à homologação, procedimentos finais para garantir a posse da terra aos índios. Ao tomar essa medida, o presidente declarou a insubsistência (perda de vigência) de decretos do ex-presidente José Sarney que haviam dividido os 9,4 milhões de hectares da reserva yanomani em 19 ilhas que, somadas, tinham 2,4 milhões de hectares. O decreto foi assinado pouco antes de Collor descer a rampa do Palácio do Planalto de braços dados com o cacique caiapó Raoni e acompanhado de cerca de 40 índios xavante e guajajara. Todos os índios estavam vestidos com calções ou calças e camisetas. As mulheres índias também usavam sutiã. O núcleo de Direitos Indígenas, a Comissão pela Criação do Parque Yanomani, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação e a União das Nações Indígenas divulgaram uma nota na qual lamentam a decisão do presidente Fernando Collor de protelar por mais 180 dias (prorrogáveis) a demarcação definitiva da reserva yanomani. As entidades declaram, entretanto, seu apoio à decisão de revogar os decretos do governo Sarney que instituíram 19 ilhas de território yanomani em meio a manchas de floresta nacional, hoje ocupadas por garimpeiros (FSP) (GM).