A Secretaria de Ciência e Tecnologia montou um grupo de trabalho para estudar um programa de incentivo à conversão da indústria bélica nacional em indústria de bens para o mercado civil. O novo plano deve ser anunciado pelo presidente Fernando Collor na volta de sua viagem aos EUA, em junho, e incluirá um compromisso do governo em encomendar os produtos a serem fornecidos por esse segmento. Ontem, a Associação Brasileira das Indústrias de Material de Defesa (ABIMDE) divulgou documento enviado ao presidente e ministros militares para protestar contra a suposta intenção de Collor de firmar protocolo nos EUA sobre assuntos militares. A BIMDE "teme que o presidente ressuscite o Acordo Militar Brasil-EUA que, entre 1952 e 1977, tolheu o desempenho dos militares brasileiros, entulhou as Forças Armadas com equipamentos obsoletos e inibiu o desenvolvimento da indústria bélica brasileira". O documento-- intitulado "A Pá de Cal, ou o Início e Fim de um Setor Industrial"-- lista seis causas básicas que levaram "o setor (de defesa) à crise atual". São elas: 1) falta de verbas para as Forças Armadas, 2) recessão no mercado internacional, 3) defasagens cambiais, 4) "atuação de setores políticos radicais" que têm preconceito contra a indústria bélica, 5) interesses externos, e 6) a transferência de recursos destinados aos militares para outras áreas do governo (FSP).