Embora tenha diminuído o número de conflitos agrários, a violência no campo aumentou em 1990, de acordo com relatório anual divulgado ontem pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). Em 1989, ocorreram 500 conflitos e 56 assassinatos, contra 401 disputas e 75 mortes no ano passado. Para o presidente da entidade, dom Augusto Alves da Rocha, bispo de Picos (PI), a raiz do mal é o latifúndio. "Collor prometeu uma reforma agrária, mas, na prática, seu governo deu continuidade à praxe de privilegiar os setores privados", disse. Conforme o relatório, no governo Collor não foi feita nenhuma desapropriação e os 50 mil títulos de posse entregues são referentes a assentamentos datados de outros governos (FSP).