A pobreza e a concentração de renda aumentaram no Brasil, nos anos 80, segundo estudos baseados em números da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A porcentagem de pessoas abaixo da linha da pobreza diminuiu entre 1960 e 1980, mas voltou a crescer em todas as regiões do país. Na década passada, só houve redução da pobreza absoluta em 1986, ano do Plano Cruzado. A desigualdade também só diminuiu nesse ano. Entre 1983 e 1989, a participação dos 10% mais ricos na renda da população economicamente ativa passou de 47,5% para 52,2%. No topo da pirâmide, 1% dos brasileiros ativos detinha 13,5% dos ganhos em 1983 e 16,8% em 1989. Os dados da PNAD referem-se quase exclusivamente a rendimentos do
37283 trabalho. Se fossem considerados os ganhos do capital, provavelmente se
37283 encontraria um aumento ainda mais acentuado da desigualdade. As análises dos dados estatísticos foram feitos por 14 economistas e reunidos no livro Distribuição de Renda no Brasil, publicado pela editora Paz e Terra (O ESP).