COLLOR NOMEIA SANTANA PARA INVESTIGAR AS FRAUDES NA PREVIDÊNCIA

Encerrado o prazo para que o ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, mostrasse os resultados da apuração das fraudes na Previdência, o presidente Fernando Collor transferiu ontem a responsabilidade pelas investigações ao secretário da Administração Federal, João Santana, que terá "todos os poderes" sobre o caso. Para Collor, o ministro Magri falhou. Irritado com perguntas sobre seu desgaste, Magri disse que só pedirá demissão se se achar "corrupto ou incompetente". Collor determinou a criação de uma Comissão Especial de Fiscalização e Controle da Previdência, presidida por João Santana. Uma semana depois de anunciar reaberta a "temporada de caça aos marajás", o governo reconheceu que da lista de 315 supostas super-aposentadorias apresentada pela Dataprev, apenas 34 pessoas ganham mais de 50 salários- mínimos, mas todos os benefícios são pagos legalmente. Segundo Magri, a maior aposentadoria é de Cr$6,7 milhões. O ministro disse que a lista de 315 supostos marajás da Previdência era uma "porta aberta para as fraudes", porque atribuía valores falsos à maioria dos nomes. Mas nenhuma fraude foi comprovada nestes casos. O ministro disse que o governo vai apurar "até a última fraude", mas afirmou que é preciso rediscutir todo o sistema e admitiu que a privatização é uma alternativa em estudo (FSP) (GM) (O Globo).