CRITICADA SUSPENSÃO DE EMPRÉSTIMO DO BID

O governo federal criticou ontem a decisão do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)-- considerando-a política-- de suspender um empréstimo de US$350 milhões ao Brasil, condicionando a liberação dos recursos a um acordo com os bancos credores. O vínculo, segundo nota divulgada pelo ministro interino das Relações Exteriores, Marcos Azambuja, "constitui uma condicionalidade nova, ilegítima e inaceitável". O governo entende ainda que a decisão coloca o próprio BID em risco como instituição financeira e manifesta sua expectativa de que ela seja prontamente revista. Ontem mesmo, os embaixadores dos países que solicitaram o adiamento (EUA, França, Canadá, Japão e Grã-Bretanha) começaram a ser chamados ao Itamaraty para tomar conhecimento do protesto brasileiro. Os US$350 milhões seriam utilizados em obras de saneamento que dariam 45 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Em Lisboa (Portugal), a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello-- que acerta a visita do primeiro-ministro português, Cavaco Silva, ao Brasil, entre os dias cinco e oito de maio--, confirmou que participará da reunião anual do BID, em Nagoya (Japão), nos próximos dias seis e sete (O ESP).