O Sindicato dos Telefônicos do Rio de Janeiro está lutando para que a TELERJ reconheça a tenossinovite-- inflamação dos tendões das mãos devido aos movimentos repetivivos dos dedos nos teclados-- como doença profissional das telefonistas, ou seja, admita que se trata de um acidente de trabalho. De quatro anos para cá, dezenas de telefonistas que trabalham diretamente com digitação apresentaram sintomas de formigamento, inchação e dormência nas mãos. Apenas uma, no entanto, Edna Maria do Sacramento, conseguiu que a empresa emitisse o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), indispensável para que elas possam obter o benefício do auxílio- acidente do INSS. O diretor de saúde e condições de trabalho do Sindicato, Carlos Augusto Machado, afirmou que somente em 1986, seis anos após a TELERJ ter sido informatizada, começaram a aparecer os primeiros casos de tenossinovite, que depende do número de toques, da temperatura ambiente e do organismo da pessoa. As telefonistas que apresentaram os sintomas da doença obtiveram apenas o auxílio-doença, através do qual do INSS paga ao segurado 70% de seu salário e mais 1% por ano de atividade. "Queremos que a TELERJ reconheça a doença como acidente de trabalho, para que as telefonistas ganhem outros benefícios e possam ser reabilitadas para outras funções. Com o auxílio-acidente elas recebem 100% do salário, um valor mais alto que contará para a aposentadoria", disse Machado. A tenossinovite é uma lesão por esforço repetitivo, uma inflamação da bainha fibrosa que envolve os tendões do braço e da mão, provocando dor e restrições ao movimento das mãos e braços. Os sintomas são inchaço, perda de força, sensação de formigamento, fraqueza dos músculos, calor localizado. A principal causa da doença é o excesso de trabalho repetitivo, com o uso da mesma musculatura. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a jornada de trabalho para um digitador ou operador de terminal de vídeo deve ser de quatro horas e 15 minutos, com pausas de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados. No Brasil, as jornadas são geralmente de seis a oito horas, com uma média de 18 mil toques por hora, enquanto a estabelecida pela OIT é de oito a 10 mil toques por hora (JB).