Dois dias antes da ruptura de abdomem que levou o então presidente Tancredo Neves a uma cirurgia no Hospital de Base de Brasília, a madre Esther Neves, irmã do presidente, recebeu das mãos do médico Arnoldo Velloso da Costa uma carta, com a recomendação de entregá-la com urgência ao destinatário. A carta-- o remetente não sabe até hoje se Tancredo a recebeu-- alertava o presidente para os riscos de um medicamento a ele ministrado pelo clínico Renault Matos: um antiinflamatório à base de oxifenebutasona. O alerta dava conta de que a droga-- proscrita nos EUA e na Europa-- tem como um de seus efeitos colaterais a perfuração intestinal que, 48 horas depois, acometeu Tancredo Neves. Esse é apenas um aspecto de uma nova versão para a morte de Tancredo Neves, relatada pelo médico Arnoldo Velloso da Costa ao jornalista Aldemar Miranda, um amigo de muitos anos, e agora repassada a imprensa. Velloso, médico particular de Tancredo desde os tempos em que o político era governador de Minas Gerais, está convencido de que o uso da oxifenebutasona, aliado à abrupta interrupção de uma dieta regrada, causaram a morte do presidente, no dia 21 de abril de 1985. "Não quero aprofundar uma polêmica em torno do comportamento do clínico Renault Matos. Mas a droga, que ele declarou ter receitado a Tancredo até em entrevistas pela TV, teve um efeito fatal", diz Velloso (JB).