O Clube de Paris não parece disposto a aplicar na negociação da dívida pública brasileira os mesmos critérios adotados no reescalonamento da dívida polonesa, quando foi anulada metade de uma dívida de US$32 bilhões contraída com governos de vários países, inclusive o brasileiro. A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, poderá constatar isso pessoalmente no encontro do próximo dia dois com o presidente do Clube de Paris, Jean Claude Trichet, e o ministro da Economia e Finanças da França, Pierre Beregovoy. Alguns membros do Tesouro francês, responponsáveis pela preparação das reuniões do Clube de Paris, têm argumentos de natureza política para justificar o que foi feito com a Polônia e deverá reproduzir-se com outros países do Leste Europeu e do Oriente Médio, além de Hungria e Egito. Tais precedentes, entretanto, na opinião dessas autoridades econômicas que em outros tempos só admitiam discutir os aspectos técnicos, não deverão beneficiar o Brasil e outros países da América Latina. Segundo eles, o Brasil poderá beneficiar-se, no máximo, de prazos mais amplos, mas não se imagina, por enquanto, a anulação parcial da dívida pública brasileira, calculada em um quinto da dívida comercial (US$20 bilhões), mas cujos números exatos não são conhecidos nem mesmo pelas autoridades do Ministério da Economia (O ESP).