Um acordo negociado ontem entre o ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, e um grupo de parlamentares estabeleceu as bases para que os grevistas da PETROBRÁS voltem hoje ao trabalho, depois de 23 dias de paralisação, dos quais os dois últimos em aberta desobediência a determinações do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Pelo acordo, serão anuladas as 190 demissões ocorridas durante a greve e a PETROBRÁS implantará um plano de cargos e salários, retroativamente a setembro de 1988, o que obrigará a estatal a pagar atrasados num montante aproximado de Cr$49 bilhões. A` noite, o comando nacional enviou telex ao sindicatos dos petroleiros, para que todos retornassem imediatamente ao trabalho. No Rio de Janeiro, à tarde, o presidente da PETROBRÁS, Eduardo Teixeira, afirmava enfaticamente que "a PETROBRÁS não negociaria, cumpriria a lei", após comunicar que começaria hoje a demitir todo servidor que se mantivesse em greve. Teixeira disse desconhecer, também, a negociação conduzida em Brasília pelo ministro Ozires Silva. O Tribunal Superior do Trabalho marcou para hoje o julgamento do dissídio coletivo dos servidores da Frota Nacional de Petroleiros (FRONAPE), subsidiária da PETROBRÁS, cuja data-base venceu em fevereiro. Eles reivindicam reajuste de 140%, índice que a estatal não pode atender em razão da Medida Provisória 295, que definiu novos critérios salariais (JC).