GOVERNO TERÁ QUE DECIDIR QUAIS ONGS PARTICIPARÃO DA RIO-92

A II Reunião Preparatória para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) começou ontem em Genebra (Suíça), com a seguinte questão: como e quais serão as Organizações Não Governamentais (ONGs) que poderão participar diretamente da preparação da conferência. O processo de escolha, no entanto, já gerou um protesto da delegação brasileira, que não concorda com o pequeno número de vagas reservadas para as ONGs dos países em desenvolvimento. Essas organizações representam todo o tipo de interesses: cientistas, mulheres, índios, religiões, ambientalistas e industriais. Hoje, uma comissão de representantes de 39 países, incluindo o Brasil, deverá decidir quais serão as escolhidas, a partir de uma lista de 134 ONGs até agora inscritas. A seleção será feita com base em dois critérios: competência e contribuições relevantes feitas para os debates da conferência. Dessas 134 organizações, entretanto, apenas 13 são de países em desenvolvimento. Na reunião de ontem, um dos representantes brasileiros, o chefe da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty, ministro Luiz Felipe Macedo Soares, pediu maior equilíbrio na representação das ONGs, alegando que as organizações dos países em desenvolvimento têm visões e experiências diferentes das ONGs do países industrializados. Uma associação de ONGs brasileiras se inscreveu: o "Fórum", que representa 450 organizações do país. O governo brasileiro também manifestou preocupação com o número de ONGs que querem participar da conferência no Brasil: segundo Macedo Soares, se o número chegar a 20 mil, elas terão que se associar, pois será impossível abrir espaço para todas. Para as reuniões preparatórias da conferência, por enquanto, não foi estabelecido nenhum limite e as ONGs que queiram participar ainda podem se inscrever. A decisão final será dada por uma comissão de representantes de 39 países (O Globo).