Os cruzados novos bloqueados há um ano pelo Banco Central tiveram uma correção de 249,42%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 926,58% nos primeiros doze meses do governo Collor, completados hoje. Quem, portanto, teve aplicações congeladas pelo Plano Collor perdeu dinheiro. Aplicações normalmente procuradas por investidores às vésperas de mudanças, como o ouro e o dólar, decepcionaram. O ouro subiu 192,31% e o dólar, 208,54%. O mercado acionário, sobre o qual havia muita expectativa em razão das propostas de privatização do novo governo, não teve muito mais sorte. O Índice BOVESPA registrou uma variação de 241,40%. O balanço do primeiro ano do governo Collor mostra resultados modestos para aquele que foi considerado o mais ousado programa econômico colocado em prática no Brasil, com medidas duras como o bloqueio das aplicações. Inflação-- a equipe econômica enfrenta os mesmos problemas dos pacotes editados na administração Sarney: fiscalizar o tabelamento de preços, conter o consumo e sair do congelamento sem deixar a inflação explodir. É como se o país estivesse de volta aos primeiros tempos do Plano Bresser ou do Plano Verão. Política monetária-- instrumento básico do combate à inflação, a política monetária no primeiro ano do governo Collor foi inconstante, desviou-se das metas e criou grande insegurança no mercado financeiro. Seus críticos a descrevem como "errática" ou "volátil". Apesar disso, houve aperto. Dívida externa-- o governo demorou na tentativa de fechar um acordo com os credores externos. O acordo agora em negociação ajudará a quebrar o gelo e a restabelecer linhas de crédito de organismos oficiais, mas virá tarde para anular os danos causados à credibilidade do país. Comércio exterior-- os números do comércio exterior foram positivos, apesar das dificuldades provocadas por grandes mudanças como a criação do câmbio flutuante, a eliminação de subsídios, a escassez de crédito e a liberdade para as importações. Produção e emprego-- a recessão, consequência da austeridade monetária, era aguardada por muitos empresários, mas não nas dimensões alcançadas. A produção industrial caiu 13,6% até janeiro e o nível de emprego recuou 14,22% até fevereiro (O ESP).