COLLOR FAZ APELO AO DIÁLOGO E AO ENTENDIMENTO

O presidente Fernando Collor de Mello marcou o primeiro aniversário de governo com um pronunciamento pontilhado de apelos ao diálogo e ao entendimento nacional e conclamou o país a não ceder ao ceticismo e ao derrotismo. Collor fez um balanço positivo das realizações no período e lançou para discussão da sociedade o documento "Brasil: Um Projeto de Reconstrução Nacional", definido como uma oportunidade "de liberar o Brasil das amarras do imediatismo e da miopia do curto prazo". No balanço sobre o primeiro ano de governo, Collor disse que cumpriu todos os compromissos assumidos na campanha eleitoral. Salientou a prática da democracia e o respeito à Constituição que, segundo ele, caracterizaram sua atuação. Depois de um ano marcado por conflito com o Congresso, o presidente admitiu que "nenhum governo, por si só, pode resolver os problemas de uma sociedade", e afirmou que "somente a sociedade pode resgatar-se a si mesma". Collor aproveitou a oportunidade para justificar o uso constante das medidas provisórias. Num recado conciliador ao Congresso, disse que a utilização das MPs pode ter sido confundida com voluntarismo, mas observou que "de forma alguma teve o sentido de diminuir os demais poderes constituídos ou de revelar descrença na prática do diálogo". Na avaliação do presidente, as MPs foram utilizadas diante de situações que exigiam soluções inadiáveis e sempre dentro do preceito constitucional de relevância e urgência (JC).