O governo perdeu recursos da ordem de US$5,3 bilhões (Cr$1,2 trilhão, pelo câmbio comercial de ontem) para o financiamento de sua dívida pública ("funding"), entre o final de janeiro e o dia 8 de março, por causa da reforma do sistema financeiro implantada com o Pplano Collor II, de acordo com levantamento feito pela direção do Banco Nacional. O funding, que era de US$18,5 bilhões (Cr$4,23 trilhões), caiu para US$13,2 bilhões (Cr$3 trilhões). O diretor-financeiro do banco, Walter Kuroda, disse que, com a criação do Fundo de Aplicação Financeira (FAF), o governo terá muita dificuldade para fazer uma política monetária austera. Ele entende que o mercado está líquido e não existem instrumentos eficazes para promover o enxugamento, o que pode ser o estopim da retomada do processo inflacionário, porque os juros ficam baixos e as alternativas da elevação do consumo e do aumento dos estoques não podem ser descartadas. Para Kuroda, o FAF poderá diminuir de tamanho. Foi projetado para ter US$20 bilhões (Cr$4,58 trilhões) e tem apenas US$8 bilhões (Cr$1,83 trilhão). Com seu enquadramento em abril, explicou Kuroda, o FAF poderá ter uma rentabilidade menor, equivalente à TR ou até inferior (JC).