O ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, admite que a estrutura para a reforma agrária implantada pelo governo Collor falhou. "A tentativa não foi boa. Acabou burocratizando o processo", disse. O governo fez apenas uma desapropriação de terras para reforma agrária até agora. A meta do governo é assentar 500 mil famílias até 1994. O governo diz que assentou 108 mil famílias no ano passado. O ministro anunciou que o governo pretende destinar Cr$405 bilhões para a reforma agrária do presidente Collor. Os recursos fazem parte do "projetão"-- a proposta de reconstrução nacional que será divulgado amanhã. Segundo Cabrera, a verba constitui quase a metade dos recursos que o governo pretende aplicar na agricultura. Os conflitos de terra vem se radicalizando no interior do país. Os atentados contra líderes de sindicatos rurais estão forçando o governo a mudar sua estrutura de atuação na questão agrária. O ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, admitiu que só a reforma agrária pode parar com os conflitos no campo. Por esse motivo, a Secretaria Nacional de Reforma Agrária, criada pela reforma administrativa do início do governo, está sendo extinta. Suas funções, basicamente normativas, serão absorvidas pelo INCRA. Segundo Cabrera, o fato de a Secretaria e o INCRA estarem dividindo as funções acabou emperrando a agilidade das ações (FSP) (JB).