OCUPAÇÕES DE TERRA NO RIO DE JANEIRO

As quase 40 ocupações ocorridas em diferentes pontos do bairro de Jacarepaguá, zona norte do Rio de Janeiro (capital), nos últimos dois meses levaram o comandante do 18. BPM, coronel Francisco Duran Borjas, a se reunir com o prefeito Marcello Alencar (PDT) para pedir que os terrenos do município, naquele bairro, sejam cercados com urgência. Duran entregou ao prefeito um relatório onde as áreas mais visadas são apontadas. "É uma briga de gato e rato. Nós retiramos os invasores e dois dias depois eles estão de volta. Não temos soldados suficientes para esse tipo de operação", explicou o coronel. Por enquanto só vamos delimitar nosso espaço. Mas, no dia 15, assim que o
36642 doutor Brizola assumir, vamos começar a levantar nossas casas, garantiu a empregada doméstica Rosilane da Silva Melo, de 22 anos, que paga Cr$10,8 mil de aluguel no Pechincha e ganha salário-mínimo. Esta é também a expectativa do camelô Marcos da Silva, de 24 anos, que já demarcou um pedaço de chão. "O Brizola não vai nos expulsar. Vai é nos dar uma casinha", disse. As ocupações também acontecem nos bairros da Alvorada, Vargem Grande, Camorim, Muzema e Gardênia Azul. A PM está traçando um plano para identificar os principais líderes dessas ocupações, que demarcam diversas áreas e depois as vendem por até Cr$500 mil cada. "Temos vários nomes. Mas o principal é um tal de Estrela que vem participando de diversas ocupações ilegais ao mesmo tempo", disse o coronel da PM. No início do ano passado, Jacarepaguá foi considerado pela FAFERJ (Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro) como o ponto crítico das ocupações no município. Seu presidente, Irineu Guimarães, denunciou na época que muitos dos proprietários de terras no bairro possuíam falsas escrituras, compradas nos cartórios. E o pior: uma situação regularizada pela prefeitura, que emitiu carnês para pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), em nome dos compradores (JB).