A Igreja Católica ainda não admite que seus padres sejam casados, mas a população católica está disposta a aceitá-los sem problemas. É o que mostra uma pesquisa efetuada em 15 estados brasileiros, segundo a qual 85% dos entrevistados acreditam que os sacerdotes não precisam ser solteiros para exercer com dignidade suas funções. O estudo foi coordenado pela Associação Rumos, uma entidade que defende o celibato opcional, e que existe desde 1987, reunindo padres de todo o país. A pesquisa revelou ainda que apenas 1% das pessoas ouvidas acredita que os padres católicos possam guardar o celibato por toda a vida, sem manter contatos sexuais. A maioria-- 78%-- acha que somente alguns conseguem e 20% revelaram a convicção de que nenhum padre aguenta manter o celibato até a morte. O trabalho da Rumos desmistifica outra questão polêmica, normalmente invocada pela ala "conservadora" da Igreja: a de que o sexo, mesmo no matrimônio, é incompatível com o exercício sacerdotal. Apenas 11% dos consultados acham que o celibato é fundamental para que a atividade sacerdotal não seja prejudicada. A possibilidade de ser ordenado, celebrar missa ou ministrar sacramentos por parte de homens já casados é aceita por 78% dos católicos. Apenas 7% descartam completamente a hipótese, enquanto 15% não têm opinião formada. A Rumos tem seccionais em todo o Brasil, edita bimensalmente um jornal e já realizou seu 1o. Congresso Latino-Americano de Padres Casados. Há alguns anos aguarda resposta do papa João Paulo 2o. a uma carta aberta, na qual seus integrantes pedem uma solução para o celibato obrigatório, que eles classificam como "um angustiante problema para a Igreja" (JB).