Cerca de um milhão de adolescentes dão à luz anualmente no Brasil. O IBGE estima em 16 milhões o número de meninas adolescentes, com idades entre 10 e 20 anos, hoje no país. De acordo com projeções do IBGE, 20% das crianças nascidas vivas no Brasil são filhas de mães adolescentes. Nos EUA esse índice é de 16%, no Canadá 9,5% e no Chile 16%. O índice de filhos de mães menores de 15 anos, que era de 0,24% em 1986, dobrou nos últimos dois anos. Hoje comemora-se em todo mundo o Dia Internacional da Mulher. Na avaliação da promotora Branca Moreira Alves, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro, "o movimento das mulheres avançou muito quanto à consciência das condições de vida e à organização social, pois elas já sabem o que querem, mas o Estado e suas instituições não respondem às reivindicações com rapidez". Ainda assim, o balanço não é desanimador: já existem 10 conselhos estaduais dos Direitos da Mulher; em Goiás o conselho se transformou em secretaria de estado; e 59 municípios, em todo o país, já montaram seus próprios conselhos da mulher. Em São Paulo, a Câmara dos Vereadores promoveu uma sessão extraordinária para debater a prostituição entre meninas brasileiras. Segundo a coordenadora do Programa da Mulher do UNICEF, Ana Maria Brasileiro, cerca de 500 mil meninas entre 10 e 12 anos são prostitutas. Só no ano passado, 22 mulheres registraram denúncias de estupro nas Delegacias da Mulher de São Bernardo do Campo e Santo André. Noventa por cento dessas mulheres são operárias que são atacadas a caminho do trabalho. A Delegacia da Mulher de Porto Alegre (RS) registrou 6.336 ocorrências no ano passado, 1.325 a mais do que em 1989. No Recife (PE), a Delegacia da Mulher recebeu, também em 1990, 4.700 queixas de agressões à mulher. O grupo "Viva a Mulher", com base nos jornais, avalia que, no ano passado, houve três agressões por dia só na região metropolitana de Recife (FSP) (JB).