O conflito de terra na Bahia colocou em confronto a Justiça e a Igreja. Há quatro dias, o juiz da comarca de Barra, Roberto Luiz Coelho dos Santos, pediu verbalmente-- o mandado não foi expedido-- ao delegado Edvaldo Santos a prisão do bispo local, dom Itamar Vian, 50 anos, alegando desacato à autoridade. Dom Itamar é considerado politicamente "moderado" na Igreja Católica. Segundo o juiz, ele só não foi detido porque o promotor Carlos Alberto Barros interveio a seu favor. "O bispo me desrespeitou porque gravou escondido nossa conversa e a tornou pública na missa". O desentendimento começou na semana passada quando o juiz e 16 policiais foram cumprir decisão do ex-juiz de Barra. Nelson Amaral, que garantia à Agrocampo (empresa cearense) a manutenção de posse de uma área de cerca de 100 hectares. O bispo disse que o juiz não tomou nenhuma providência ao assistir os policiais destruindo e queimando dois quilômetros de cerca e também para impedir que os PMs queimassem cinco residências e uma casa para produção de farinha. O juiz disse que não autorizou a destruição e queima das casas (FSP).