Os frequentes conflitos e assassinatos na região do Bico do Papagaio-- sul do Pará, norte do Tocantins e oeste do Maranhão-- são consequência de uma injusta estrutura fundiária, agravada pela impunidade, pelo trabalho escravo e pelo desaparelhamento do Estado, que deveria no mínimo impor uma ação mais ostensiva da Polícia Federal. Esta é uma das principais conclusões do relatório encaminhado ontem ao Ministério da Justiça pelo diretor do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional dos Direitos da Cidadania e Justiça, Francisco Guimarães, que esteve em missão oficial do governo em Rio Maria (PA) para acompanhar as investigações sobre a morte do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza. Guimarães sugeriu ao ministro Jarbas Passarinho que a PF dê proteção a três pessoas apontadas como cabeças da lista de execuções: o padre Ricardo Rezende, o atual presidente do sindicato rural, Carlos Cabral Pereira, e o presidente do PC do B local, Roberto Neto da Silva (JB).