BUSH SUSPENDE GUERRA CONTRA O IRAQUE

Quase sete meses depois da invasão do Kuwait, 41 dias após o começo da guerra e com quatro dias de ofensiva terrestre, o presidente norte- americano, George Bush, anunciou, ontem à noite, o fim das "operações militares ofensivas" contra o Iraque e a liberação total do emirado. A suspensão dos ataques entrou em vigor às 2h de hoje (hora de Brasília), exatamente 100 horas depois do início das operações terrestres, como lembrou Bush. Mas ele advertiu que para a formalização de um cessar-fogo, Saddam Hussein e suas tropas têm que cumprir várias condições. Qualquer ataque dos soldados iraquianos depois da suspensão da ofensiva implicará uma imediata retomada das operações militares da coalizão. Bush exigiu ainda que comandantes iraquianos se reúnam o mais rapidamente possível com oficiais aliados, "no teatro de operações, para acertar os termos do cessar-fogo". O Iraque já tinha concordado com a maioria das exigências que o presidente norte-americano fez. O governo iraquiano só não havia concordado com apenas duas condições: a troca imediata de prisioneiros de guerra e a localização das minas deixadas no Kuwait. Bush quer ainda que o governo iraquiano anule o seu decreto de anexação do Kuwait como décima nona província e aceite os termos da resolução da ONU (Organização das Nações Unidas), que o condena a pagar reparações causadas com a sua invasão do Kuwait, a dois de agosto de 1990. O comandante da operação "Tempestade no Deserto", general Norman Schwarzkopf, afirmou que suas tropas só não estão marchando para Bagdá (capital do Iraque) porque não querem. Elas chegaram ontem a 240 quilômetros da capital iraquiana e não encontraram obstáculos. O comando saudita na força de coalização assegurou que 90% dos tanques iraquianos foram destruídos. Estima-se em 100 mil o total de mortos iraquianos na guerra. O secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuellar, disse que estava pronto para enviar ao Golfo Pérsico forças de manutenção de paz para supervisionar o cessar-fogo (JB) (GM).