O padre Ricardo Rezende, 38 anos, vigário de Rio Maria (PA) e membro da CPT (Comissão Pastoral da Terra), disse ontem, em São Paulo, que ele julga não ter o direito do "ponto de vista ético e moral" de mandar um lavrador abandonar uma ocupação de terra em área improdutiva. "No caso de famílias em necessidade absoluta, precisando de terra, acho que o direito à vida se sobrepõe ao texto legal", disse. "Sobre toda propriedade particular, repetindo o papa João Paulo 2o., pesa uma hipoteca social. No Brasil, uma parcela significativa foi colocada à margem da possibilidade de sobrevivência. Eu não mando sair. Mas se é correto ou não ocupar depende de vários fatores", afirmou. O padre vive há 13 anos no sul do Pará e há 10 vem recebendo ameaças de morte. Ele veio a São Paulo falar das ameaças de morte a sindicalistas e religiosos (FSP).