O CRM-DF (Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal) julga hoje cinco médicos que atenderam o então presidente eleito Tancredo Neves, em março de 1985, no Hospital de Base de Brasília. Tancredo foi internado no hospital no dia 14 de março, véspera de sua posse. Na madrugada do dia 15, foi operado. Em princípio, atribuiu-se a cirurgia a apendicite. Depois, a versão oficial foi a de que Tancredo sofria de diverticulite, inflamação de alça intestinal. Em 21 de março daquele ano, soube-se que Tancredo tivera no intestino um tumor benigno, leiomioma. As autoridades, a família de Tancredo e os médicos do hospital de Base mantiveram a versão de diverticulite por receio de que a palavra "tumor" pudesse chocar a opinião pública. Uma das acusações contra os médicos que serão julgados hoje é a de eles terem sustentado a informação falsa da diverticulite mesmo depois de exames terem comprovado o tumor. A equipe que cuidou de Tancredo no Hospital de Base era comandada pelo médico Francisco Pinheiro da Rocha. Serão julgados também os médicos André Esteves, Felipe Marques, Édno Magalhães e Gustavo Arantes (diretor do hospital) (FSP) (O Globo).