Os presidentes das federações das indústrias de todo o país decidiram ontem tentar "ampliar os canais de entendimento" para fazer ajustes na política econômica. Após o encontro, realizado na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília, o presidente da entidade, senador Albano Franco (PRN-SE), disse que "os riscos do Plano Collor II devem ser minimizados pelas modificações em discussão no Congresso Nacional". Os presidentes das federações, que formam o Conselho Superior da CNI, receberam um documento, preparado pelo Departamento Econômico da CNI, que considera o plano "um programa de alto risco". O paper prevê uma inflação de 25% em fevereiro e estima uma queda de 12% na produção industrial no primeiro ano do governo Collor. O Departamento Econômico da CNI constata ainda que os salários estão hoje no seu nível mais baixo desde 1986. A CNI defende três mudanças no plano econômico: a não-unificação das datas-base, a flexibilização dos preços e a concessão de abonos que permitam elevar o valor do salário-mínimo. O presidente da CNI informou ainda que vai pedir ao governo que adie por 120 dias a vigência do Código de Defesa do Consumidor, prevista para 11 de março. A diretoria da entidade concluiu que é impossível para a indústria arcar com os custos adicionais resultantes da nova lei com o congelamento de preços. A reivindicação da CNI será encaminhada aos Ministérios da Economia e Justiça (FSP) (O Globo).