CEMITÉRIO CLANDESTINO NO PARÁ

Um cemitério clandestino, com dezenas de trabalhadores rurais e posseiros enterrados, é a nova denúncia feita por líderes rurais do sul do Pará. A notícia foi divulgada ontem, em Belém, pelo deputado José Carlos Lima (PT). O cemitério se localiza na fazenda Ouro Verde, no Município de Goianésia, de propriedade do fazendeiro Jeronimo Alves Filho, foragido, que também é acusado de ser o mandante da morte do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza. Expedito foi morto no início de fevereiro, em Rio Maria (PA). O deputado soube da existência do cemitério através de um peão de 26 anos, cujo nome não foi revelado, que há oito meses vivia em regime de trabalho escravo na fazenda Ouro Verde e que conseguiu fugir no último dia 22. O peão foi contratado em junho do ano passado para ganhar Cr$8 mil. Todo esse tempo, no entanto, o peão trabalhou todos os dias sem nada receber. Tinha direito apenas a uma refeição diária. Ele trabalhava juntamente com cerca de 40 outros homens, que viviam em idênticas condições (O Globo).