O 6o. Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, realizado ontem em Piracicaba (SP), decidiu manter ocupações de latifúndios e de órgãos públicos a partir da segunda quinzena de março. O movimento vai exigir o assentamento das 13 mil famílias acampadas no país e a punição de responsáveis pela morte de trabalhadores. Os sem- terra divulgaram um documento no fim do encontro no qual afirmam que "com um ministro da Agricultura subserviente aos interesses dos latifundiários não há dúvida de que nesse governo não ocorrerá nenhuma modificação fundiária em benefício dos trabalhadores". Segundo o documento, 64 trabalhadores rurais foram mortos em 1990 e, embora o número de assassinatos no campo tenha diminuído nos últimos anos, isso não significa que há uma diminuição da violência rural. Uma das resoluções do 6o. encontro foi a criação do sistema corporativista de assentamentos, que pretende organizar as 95 mil famílias assentadas pelo governo. O objetivo é dar aos trabalhadores sem-terra a possibilidade de partir para a produção de mercado e para a agro-indústria, garantindo o acesso a créditos agrícolas, assistência técnica e planejamento da produção e comercialização (FSP) (JB).