AMATO APÓIA DEMISSÕES E CONVERSA COM BRIZOLA

O presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mário Amato, disse ontem, no Rio de Janeiro, que as demissões programadas pela Autolatina são consequência de "um plano de juros altos e de uma recessão provocada" e não significam uma confrontação dos empresários com o governo. Amato foi ao Rio conversar com o governador eleito, Leonel Brizola (PDT). Mário Amato disse que ontem a FIESP enviou à ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, um documento elaborado por 60 empresários. O documento pede realinhamento de preços para compensar o "tarifaço" (reajuste de tarifas públicas) decretado pelo governo. Os empresários querem também redução das taxas de juros e dos impostos sobre produtos da cesta básica, além de manutenção do poder aquisitivo dos salários. Segundo Brizola, foram discutidos também questões nacionais e houve concordância sobre a necessidade de um esforço para evitar as perdas dos salários. Não foi divulgado nenhum documento conjunto. Os dois debateram a possibilidade de empresários paulistas investirem no Rio de Janeiro. Mário Amato pediu garantias: segurança, infra-estrutura e água. O governador eleito disse que atenderá as reivindicações. Do encontro, realizado na casa do vice-prefeito do Rio, Roberto D`Ávila (PDT), participaram ainda o presidente da BOVESPA, Álvaro Vidigal, da Associação Nacional dos Fabricantes de Papel, Horácio Shekasky, e do Sindicato dos Bancos de São Paulo, Paulo Queirós (FSP) (JC).