O ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, vai propor ao presidente Fernando Collor que "bata o martelo na mesa e proíba demissões nos próximos cinco ou seis meses", através de medida provisória retroativa ao caso da Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen). Ele vê nesse procedimento uma maneira de forçar a retomada das negociações entre trabalhadores e empresários. Magri não revelou essa decisão ao diretor de assuntos corporativos da Autolatina, Miguel Jorge, com quem esteve reunido ontem, em São Paulo. Ele pediu à Autolatina que revise a decisão de demitir 5.110 funcionários. Se isso não ocorrer, vamos propor uma medida drástica para evitar esta
36190 selvageria, disse. O ministro nada revelou sobre a reação do diretor da Autolatina. A empresa prometeu divulgar hoje a lista dos demitidos. Cerca de dois mil trabalhadores da Ford de São Bernardo do Campo e da fábrica de caminhões do Ipiranga ocuparam ontem por duas horas a avenida paulista, em frente à FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para protestar contra as demissões. O ato, sem incidentes, foi marcado por palavras de ordem condenando o governo Collor e a política econômica. Em Brasília, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Vicente Paulo da Silva, e o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, encontraram-se com a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, para pedir sua interferência no caso. "Não existe qualquer problema econômico que motive a demissão", disse a ministra, que classificou o anúncia da Autolatina de um "enfrentamento ao governo". Zélia determinou que a Receita Federal acelere o levantamento para identificar as margens de lucro da indústria automobilística (FSP) (JC).