Um dossiê da CEF (Caixa Econômica Federal) mostra que o aluguel de um barraco em uma favela do Rio de Janeiro custa três vezes mais do que um apartamento de luxo, com piscina e quadra de tênis, na mesma cidade. O documento aponta como as prestações defasadas da casa própria provocam rombo no SFH (Sistema Financeiro da Habitação). O levantamento foi feito para defender no Congresso Nacional a aprovação da cobrança de 35% de Imposto de Renda, instituída pelo Plano Collor II, sobre o resíduo do saldo devedor de financiamentos do SFH. A medida está sendo combatida pelos parlamentares. A maioria dos contratos afetados pela medida foi assinada até 1986, com cobertura do FCVS (Fundo de Compensação de Variação Salarial) para os resíduos. Segundo o dossiê da CEF, o proprietário de um apartamento de quatro quartos, com piscina, quadra de tênis e salão de festas, no bairro de São Conrado (zona sul do Rio de Janeiro), paga uma prestação de Cr$15 mil. Já um inquilino de um barraco de alvenaria na favela da Rocinha (RJ) tem de desembolsar Cr$45 mil por mês com aluguel, ou seja, três vezes mais do que a prestação do apartamento. O número de imóveis fechados hoje em São Paulo chega a 30 mil e, no Rio de Janeiro, a 18 mil. Em todo o país, há cinco milhões de imóveis fechados, o que representa 14% do total. Os dados são da FENADI (Federação Nacional dos Adminstradores de Imóveis) (FSP).