Uma reunião marcada para o próximo dia três no México entre membros dos governos dos países latino-americanos vai aferir pela primeira vez o grau de aceitação do relatório "Nossa Própria Agenda", o estudo elaborado pela Comissão de Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e do Caribe sob o patrocínio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). O relatório conclui que os problemas ambientais da região decorrem primordialmente da miséria. A recomendação essencial é de que a luta contra a pobreza seja prioritária. A expectativa do coordenador do relatório, o venezuelano Arnoldo Gabaldon, é que o relatório uniformize e, portanto, fortaleça as posições a serem sustentadas pelos países latino-americanos na Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), marcada para o próximo ano no Brasil. A Conferência da ONU de 1992, propõe o relatório, deve ser o grande fórum para propor aos países industrializados que revejam suas políticas comerciais, de transferência de tecnologia, do tratamento da dívida externa, da cooperação técnica e científica aos países menos desenvolvidos, do desarmamento mundial e da conservação da biodiversidade das espécies. Essa, segundo Gabaldon, é a agenda que deve ser proposta pelos países latino-americanos, que, junto com o Caribe, concentram 8% da população mundial, 23% das terras potencialmente cultiváveis do planeta e 23% das florestas (46% das florestas tropicais) (GM).