A Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen) anunciou ontem a dispensa de 5.110 funcionários em sete unidades de produção em São Paulo. Somadas três mil demissões voluntárias, a empresa fará um corte de 14,9% em seu quadro de pessoal. A decisão, atribuída à queda nas vendas de veículos, provocou paralisações de protesto nas fábricas da Volks e da Ford em São Bernardo do Campo. A empresa avaliou que a retração de mercado deverá se manter até o segundo semestre. Para adequar a produção ao nível de vendas, a Autolatina vai ainda conceder licença remunerada para os trabalhadores de todas as unidades nos próximos dias 28 e 1o. Um estudo minucioso, divulgado em 1989 pela ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) estabelece uma comparação de um para 29 entre os empregos diretos e os indiretos gerados pela indústria automobilística. Ou seja: para cada emprego em montadora de veículos, outros 29 são criados em diferentes setores da economia. A transposição deste cálculo para as demissões anunciadas pela Autolatina apontam um quadro desolador: eliminação de 322.000 postos de trabalho indiretos criados na esteira da produção de automóveis (FSP) (JB).