Não foi somente o presidente da FIESP, Mário Amato, que não gostou da unificação das datas-base pela MP 295. Todas as federações e centrais sindicais, incluindo a Força Sindical (em formação), criticaram a escolha de janeiro e julho para data-base, embora apóiem a idéia da unificação. Unânimente, as centrais consideram janeiro desmobilizante, já que economicamente morno. Além disso, a maioria dos sindicatos de trabalhadores de São Paulo que têm data-base ou negociação até julho, já estão se mobilizando-- ou já estão em greve-- para pleitear aumentos de salários antes do prazo marcado pelo governo. Mas, tão insatisfeitos quanto o presidente da FIESP-- que considerou a unificação "uma das maiores bobagens" propostas pelo governo-- estão os 6,8 mil portuários de Santos (SP), que já passaram das palavras à ação. Suas negociações feitas em janeiro com a CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo) previam renegociação neste mês. Mas, atropelados pelo Plano Collor II, os portuários partiram para a greve, reivindicando 158,11% de aumento. A reboque dos portuários, entram em greve amanhã, 3,2 mil trabalhadores na administração do Porto de Santos, cuja data-base era junho próximo. Outros que querem negociar já seus aumentos de salários, alheios às datas fixadas pelo governo, são os 40 mil metalúrgicos do interior paulista, aglutinados no Departamento dos Metalúrgicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores) (O Globo).