A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem em Manaus (AM) o texto-base da Campanha da Fraternidade-91 com o tema Fraternidade e Trabalho, que será lançada hoje em Brasília. Segundo o documento, 23,9 milhões de crianças e adolescentes na faixa etária de dez a 17 anos estão inseridos no mercado de trabalho no Brasil. De acordo com a CNBB, eles representam 17,2% da população do país e 12,2% da população economicamente ativa do país. O secretário-geral da CNBB, dom Antônio Celso de Queiróz, afirma que pelo menos 900 mil famílias brasileiras sobrevivem com o trabalho dos jovens de dez a 17 anos. O documento da CNBB afirma que entrada prematura de crianças e adolescentes no mercado de trabalho faz com que 28,6% da população economicamente ativa do Brasil sejam analfabetas. Esse total representa 17 milhões de pessoas. A população economicamente ativa do Brasil está estimada em 59,5 milhões de pessoas. "A população jovem ingressa no trabalho no período em que deveria estudar e formar-se profissionalmente, por causa dos rendimentos familiares insuficientes", afirma o documento. A entidade afirma que a maioria dos jovens trabalha no campo. Entre os que trabalham na cidade, 29% estão trabalhando em indústrias e 20% em empresas de prestação de serviços pessoais e no comércio. Segundo a CNBB, grande parte das crianças e adolescentes "trabalha como bóia-fria, catador de papel, lavador de carro e engraxate". A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD), do IBGE, divulgada no mês passado, afirmava que existem no Brasil 7,3 milhões de menores integrados à força de trabalho (FSP).