Na década de 80, 147 trabalhadores rurais foram assassinados na Bahia. Todos eles estavam envolvidos em disputas pela posse da terra. A situação de violência no campo levou a Assembléia Legislativa baiana a formar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as mortes que ocorreram entre 1981 e 1989. A CPI divulgou seu relatório final em dezembro do ano passado. O número de mortos no período investigado pela CPI era de 130. Com os dados de 1990 apurados pela FETAG, chega-se a 147. Segundo o presidente da CPI, deputado Luís Umberto (PT), "o mais absurdo é que nenhum dos criminosos foi julgado ou punido". A CPI apurou ainda que "centenas" de casos e sequestros, espancamentos. queimas de casas e plantações de trabalhadores envolvidos nos conflitos ocorreram no interior da Bahia. Na época da divulgação dos números pela CPI, o secretário de Justiça do estado, Marcelo Duarte, afirmou que reconhecia a ocorrência de "alguns crimes" mas que não acreditava "sinceramente" nos dados apresentados pelos relatórios (FSP).