A Bahia disputa com o Pará o primeiro lugar em assassinatos de trabalhadores rurais por conflitos de terra no país. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG), 32 pessoas foram assassinadas nos últimos dois anos na Bahia. No Pará, segundo o secretário-geral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Jerônimo Nunes, o número de mortos chega a 27 no mesmo período. "Mas se for confirmada uma chacina ocorrida em agosto em São Félix do Xingu, o número será igual ao da Bahia", diz Nunes. Em 1989, 15 pessoas foram assassinadas na Bahia por conflitos de terra. No ano passado, 17 morreram pelo mesmo motivo. Para a FETAG, a causa dos conflitos é sempre a mesma: o interesse dos fazendeiros sobre as terras ocupadas mesmo que não tenham a posse sobre elas. Um levantamento feito pela FETAG registrou que 634 famílias ocupam 239.359 hectares de terras em disputa na Bahia. Segundo Irailton Gonçalves, membro da Executiva Estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), há cerca de 20 trabalhadores rurais ameaçados de morte nas cidades do extremo sul do estado (FSP).