NO MATO GROSSO TRÊS HOMENS SÃO QUEIMADOS VIVOS

Três assaltantes invadiram, no dia 23 de novembro do ano passado, uma fazenda do empresário Carlos Mazzonetto, dono de um garimpo, em Matabá (MT), e acabaram encurralados pela polícia. Os assaltantes se refugiaram na casa em que moram os proprietários da fazenda, onde fizeram reféns. Durante as negociações, que se arrastaram por uma noite inteira, centenas de moradores da cidade cercaram a casa. Sem outra alternativa, os assaltantes decidiram se entregar, após a polícia garantir que iria salvá-los de um risco imediato-- o lichamento. "Podem ficar tranquilos", disse o capitão Edyr Bospo, da Polícia Militar. "Ninguém vai fazer mal a vocês". Os três assaltantes, porém, foram massacrados pela multidão-- que, entre gritos e aplausos, jogou gasolina nos homens e queimou-os até a morte. Um dos assaltantes, Arci Garcia dos Santos, chegou a ser interrogado enquanto as labaredas consumiam seu corpo e implorou: "Deixem-me morrer em paz". O lichamento dos assaltantes, registrado por um cinegrafista amador de Matabá, só veio a público na semana passada. No dia 28 de janeiro último, por iniciativa do padre José Tencate, de Cuiabá, uma cópia da fita com as imagens da tragédia chegou ao escritório do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília. No dia 31, o secretário- executivo do MNDDH, Augusto Veit, encaminhou ao ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, uma cópia da fita e um ofício pedindo que a Polícia Federal investigue o crime (revista Veja no.1168).