Ao congelar salários até julho próximo, o Plano Collor II cristaliza perdas no salário real do trabalhador assalariado da Grande São Paulo no momento em que ele experimenta seu patamar mais baixo desde 1985. A conclusão é de Sérgio Mendonça, diretor-técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). Segundo ele, o salário médio real de janeiro deve estar no mesmo patamar em que se encontrava em novembro de 1990, quando equivalia a 66,6% do salário médio do ano de 1985. Além disso, o plano também cristaliza o salário-mínimo e submete-o desde já a perdas maiores diante da variação do custo de vida que ocorrer até julho. Em janeiro de 91, o salário-mínimo equivalia a 25,62% daquilo que valia em julho de 1940, quando foi instituído. Reajustado pelas medidas adotadas pelo governo no último dia 31 em Cr$15.895,46, ele representa hoje 87,3% em termos reais dos Cr$3.674,06 que valia em março de 1990. Pesquisa realizada pelo DIEESE aponta ainda para o fato de que, aplicada a MP 295 do plano, o salário real atual representa de 34,34% a 56,58% daquele que vigorava às vésperas de o novo governo assumir, em março de 1990. Segundo o DIEESE, os reajustes salariais em fevereiro, estabelecidos pela MP 295, variam de zero a 70%, dependendo da categoria (FSP) (O ESP).