PESQUISA REVELA NÍVEL DE VIDA "PRECÁRIO" EM SÃO PAULO

Cerca de 1,3 milhão de famílias da Grande São Paulo-- um terço da população-- moram em condições "precárias" de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE). A pesquisa revela que 200 mil famílias vivem em áreas ocupadas, 487 mil residem em casas emprestadas por familiares e 600 mil construíram suas próprias casas. Para o diretor-executivo do SEADE, Mário Percival, estas formas de habitação são maneiras encontradas pelas pessoas para poder enfrentar as dificuldades econômicas. O SEADE aponta outros fatores considerados Indícios de condições precárias de sobrevivência". Pela pesquisa, 20% das casas não estão ligadas à rede pública de esgoto e 27% têm medidores coletivos de energia elétrica. A pesquisa ouviu 23 mil pessoas em 5.426 domicílios entre os meses de junho, julho e agosto de 1990. Os demais resultados foram os seguintes: a renda per capita em julho era de 3,2 salários-mínimos (US$216); 44% das famílias declararam possuir caderneta de poupança e 36% tiveram parte de sua aplicação retida pelo Plano Collor; uma em cada três pessoas ocupadas naquele período foi afetada por períodos sem trabalho nos 24 meses anteriores à pesquisa; dos que procuravam trabalho, 62,6% estavam desempregados e 26,9% buscavam maiores salários e carteira assinada. A pesquisa do SEADE revelou ainda que o estudo é um dos motivos mais frequentes para o não-ingresso de crianças com mais de 10 anos no mercado de trabalho. Além disso, 58,3% dos estudantes não trabalham fora nem ajudam nas atividades domésticas, dedicando-se exclusivamente à escola. Apesar disso, a pesquisa constatou a existência de 980 mil pessoas, acima de sete anos, que não sabem ler nem escrever (FSP) (O ESP) (GM).